quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Domaine Armand Rousseau Gevrey-Chambertin 2012



A Garrafeira Nacional do Mercado da Ribeira, em Lisboa, tem duas máquinas Enomatic que são um sonho. Ali encontram-se moscatéis antigos, portos vintage, borgonheses e bordaleses para acompanhar as belas pedidas dos restaurantes ao lado.

A Borgonha está muito bem representada por um de seus grandes (e olha que para ser grande na Borgonha não é para qualquer um), o Domaine Armand Rousseau, tradicionalíssimo produtor da região, detentor de 14 ha de vinhas em Gevrey-Chambertin, sendo mais da metade delas Grand Cru, uma boa parcela de Premier Cru e o resto destinado à produção do nosso rótulo de hoje, o vinho de entrada do Domaine, o Grevrey-Chambertin Villages.

A safra de 2012 foi uma safra difícil, de vários problemas climáticos que levaram a pequenas produções. Quando falamos de um produtor tradicional, porém, a qualidade é dificilmente afetada de modo a comprometer o vinho. Para nós, é isso que difere os grandes produtores, independentemente do país: entregar um vinho consistente, safra após safra, que reflita as características de cada ano no vinho sem que isso descambe para uma perda de personalidade ou qualidade.

Neste rótulo do Domaine, a elegância transborda por todos os lados: muito mineral e algo defumado, mostrando frutas vermelhas maduras e licoradas (característica deste terroir) amparadas por uma acidez afiada, esse Pinot Noir tem taninos presentes mas muito macios, mostrando uma estrutura que permitirá um bom envelhecimento. O final é longo, suculento e um pouco apimentado. A tipicidade grita quando falamos em Gevrey-Chambertin: está tudo ali, força e elegância, concentração e suavidade, lado a lado (e estamos falando de um vinho de entrada!). Não adianta querer achar isso em outro lado. Terroir é terroir, e a Borgonha tem vários dos melhores.

Parafraseando Beto Gerosa, "o vinho da Borgonha não é explosivo e potente como um gol, está mais próximo da beleza e da elegância do drible de um craque.". 




Avaliação Vinhozin: 93 Pontos/ 100 (Escala Americana)

Preço no Brasil: Muito difícil de achar! Era importado pela Magnum, e o preço, já há uns bons 5 anos, rondava os 600 reais.
Preço no exterior: Em torno de 100 euros na Europa e 150 dólares nos EUA.

Vale a pena? Os vinhos da Borgonha são caríssimos. Quando temos um produtor tradicional, as coisas pioram ainda mais. Então, é o seguinte: há vários vinhos muito melhores por menos dinheiro, mas não são Borgonha; e há vários vinhos borgonheses de mesmo nível por menos dinheiro, mas não são Rousseau. A escolha fica a cargo do comprador.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Campolargo Rol de Coisas Antigas Tinto 2010



Na esteira de vinhos da Bairrada, agora um tinto da Campolargo.

Feito de forma tradicional a partir de um corte de várias castas - sendo algumas delas de rara utilização atualmente, como a Tinta Pinheira e o Bastardo - seu rótulo reproduz um documento antigo de técnicas de vinificação. A alma desse vinho é justamente exprimir esse caráter antigo, clássico, de se fazer vinhos, um velho mundo quase hardcore, com apego às tradições mais enraizadas e regionais da Bairrada.

O vinho já valeria pela curiosidade de se beber "às antigas", mas o resultado é realmente muito bom: fresco, elegante, vinoso, quase borgonhês nas frutas vermelhas, algumas especiarias e taninos macios. Vinho que, se parece não ter estrutura para aguentar muito tempo pela frente, apresenta uma elegância difícil de achar com tão pouco tempo de garrafa.

Dá prazer de beber, e vai bem na mesa. Bela pedida.



Avaliação Vinhozin: 91 Pontos/ 100 (Escala Americana)

Preço no Brasil: 190 reais na Mistral (safra 2009).
Preço no exterior: Em torno de 10 euros em Portugal e 25 dólares nos EUA.

Vale a pena? Se for pra comprar em Portugal, é uma pechincha. Nos EUA, tem um bom preço. Aqui, é um absurdo; há vários vinhos de mesmo nível ou até melhores por menos dinheiro.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Marquês de Marialva Colheita Selecionada Branco 2013



No meio deste inverno incrivelmente quente, um branco leve para beber na praia! A Bairrada, terra da grande Baga e seus tintos "arquitetônicos", produz também grandes brancos. Dois grandes vêm à mente (Buçaco e Pai Abel), mas isso é conversa para um outro dia. Hoje, falemos do Marquês de Marialva Colheita Selecionada 2013.

A Adega de Cantanhede é uma força de vendas da região, produzindo vinhos de ótimo custo-benefício. Esse branco não foge à regra: produzido com Arinto, Bical e Maria Gomes, agrada fácil com sua acidez fresca (característica bem difícil de encontrar em rótulos brancos de entrada) e suas notas limonadas.

Belo vinho para o dia-a-dia ou para um dia de calor: correto e sem defeitos.



Avaliação Vinhozin: 86 Pontos/ 100 (Escala Americana)

Preço no Brasil: 25 reais no Pastorinho da Vila Mariana, em São Paulo. Importado pela Santar.
Preço no exterior: Em torno de 2,50 euros em Portugal.

Vale a pena? Vale. Ótimo custo-benefício, melhor que a maioria de seus pares de mesmo preço.